Como todos os meus amigos sabem, meu único assunto por enquanto é a missão Jaíba 2008 (até eu ir à missão 2009) e ainda não escrevi nada sobre ela.Tenho que começar falando que nenhuma outra experiência em minha vida (seja ela qual for) foi tão aprofundada na ligação entre humanos e Deus. Tudo começou na rodoviária de Vitória, todos cheios de malas e sacolas, levando mundos, fundos e muita empolgação para a viagem. De acordo com minha mãe, eu estava no mesmo clima que estava no dia em que fui para a Disney.

Missionários de Vitória
Chegamos à Belo Horizonte dia 4/07/2008, cansados de uma longa viagem de ônibus para palestras, preparação e conhecimento do grupo, comunidade, etc... No mesmo dia partimos para o Jaíba, já com grupos formados e comunidades separadas. Fomos recebidos com muito carinho no outro dia de manhã na cidade, onde comemos um delicioso cachorro quente e cada grupo foi para sua comunidade.
Em qualquer capital ou outras cidades urbanizadas, nunca que uma pessoa que chegasse à casa de um morador e dissesse "vim fazer missão" seria bem recebido. No Jaíba é completamente diferente. Em especial na comunidade onde fiquei, Nova esperança, onde fomos super bem recebidos e acolhidos pelos moradores e, claro, pela nossa família, a melhor possível, pessoas incrivelmente especiais com o coração maior que o mundo e fé tão grande como Deus.
Nossa avó
Durante o dia, o projeto rendia através de visitas às casas, nas quais os moradores da comunidade nos contavam suas vidas, por uma confiança que existe entre eles e os missionários, e as experiências deles são incríveis. Às vezes achamos que temos problemas e que a nossa vida é um horror. Na vida deles pode acontecer coisas piores, porém eles têm coisas que nós não conseguimos alcançar. A falta de bens materiais pode levar a pessoa a buscar vida por outro caminho: o de amor e fé, foi o que eu pude observar. Durante as visitas fomos nos apegando às famílias, aos moradores e principalmente às crianças: Samara, Claudinete, Vanessa, Carol, Pabla, Naiara, Léo, Nátani... algumas que consigo lembrar. Após conversas produtivas nas casas, fazíamos orações com a familia (dependendo da religião), agradecíamos a Deus por tudo que você imagina e nos sentíamos melhor a cada casa em que passávamos. Nos sentíamos melhor pois cada pessoa tem uma história diferente, problemas diferentes, e quando elas olham para nós e dizem que somos "o máximo", em outras palavras, o sentimento de amor e fé brota dentro de nós. Já disse mil vezes e repito: nunca me senti tão perto de Deus como no Jaíba. Nós ficamos perto Dele, pois estamos com pessoas que o tem demais em todos os sentidos. É lindo o modo como eles se relacionam com os vizinhos, se preocupam com os doentes que não têm nada a ver com eles e ainda fazem isso na maior simplicidade.
Um dia fomos à escola. Todas as crianças me chamavam de Tia Carol. Fiz coisas que não fazia há muito tempo, como brincar de galinha do vizinho, batata quente, corrida, polícia e ladrão, cabra-cega.
"Oi Tia Carol!" aqui...
"Ei Tia Carol!" ali...
Era uma graça.

Casos que chamaram atenção:
- Uma mulher mãe de oito filhos, que tomava gardenal e não lembrava o nome das crianças.
- Uma ex-macumbeira que se tornou evangélica. Muito sábia.
- A falta de preparo por parte dos professores que ensinam aquelas crianças que tanto necessitam.
- Uma senhora que poderia morar até em São Paulo mais estava no Jaíba.
- Uma mulher que quando estava grávida estava sujeita a ter problemas com o bebê, mas após uma benção de ex-missionários nunca mais teve nada.
- Casos de doença.
- E, claro não posso me esquecer de Laura, nossa eterna amiga.
Sobre a comida:
Nós achávamos que íamos passar fome, porém nunca comi tanto em minha vida: era um prato mais gostoso que o outro. Arroz, feijão, galinha e macarrão. Sempre (ou às vezes era carne de sol).
Sobre o grupo:
não poderia ter sido melhor. Todos diziam que parecia que éramos amigas de longa data.
Caso engraçado (não tão engraçado para quem não estava lá):
nossa queria "enguia" Naiara, ao ver um par de bicicletas, concluiu que havia uma quadrilha nos cercando (eram 9 da noite, lá é tarde). Então, concluiu que devíamos correr!
Só ouvi:
"Cooooooorre, as meninas, cooooorre!"
No final, era o José Ernesto, neto da dona Terezinha. ¬¬
É claro que não é só isso que tenho para falara da missão, mas se dissesse tudo, não caberia aqui. A gente viaja cheio de si, achando que vai ensinar tudo a eles, e quando chegamos lá descobrimos que nós vamos para aprender. E muito.
Fui com a mala cheia de livros infantis e cadernos e voltei com ela cheia de valores, experiências, 4 quilos e principalmente fé.
E só para não perder o costume:
Pai Nosso que estais no céu,
santificado seja o vosso nome,
vem a nós o vosso reino,
seja feita a vossa vontade
assim na terra como no céu
O pão nosso de cada dia nos daí hoje,
perdoai-nos as nossas ofensas,
assim como nós perdoamos
a quem nos tem ofendido,
não nos deixei cair em tentação
mas livrai-nos do mal.
